Recém-chegados, Apátridas e Refugiados: Os Modos de Aparecer do “Estranho” na Obra de Hannah Arendt (Newcomers, Stateless, and Refugees: Ways of Appearing of the "Stranger" in Hannah Arendt’s Work)

Eduardo Morello, Élsio José Corá

Abstract


This text aims at interpreting the ways of appearing of the stranger in the work of Hannah Arendt. Our hypothesis is that the stranger, firstly, is the condition of the newcomers; and then as a frightening symbol when in the condition of stateless and refugees. Accordingly, our text first examines newcomers as strangers insofar as they are born as a new beginning and initiator in a world that already preexists human relationships. They are welcomed and are therefore familiar with the world in order to feel recognized and accepted in it, so that they can act and speak in the presence of others, revealing themselves in their uniqueness. And, finally, stateless people and refugees are also strangers, but in the sense of a frightening symbol, since, by losing their ties with the human world, they are no longer welcome. Therefore, they find themselves at the limits of human artifice, deprived of acting and speaking.

O presente texto tem por objetivo interpretar os modos de aparecer do estranho na obra de Hannah Arendt. A hipótese é de que o estranho traduz a condição própria dos recém-chegados; e, ao passo, que ele é um símbolo do assustador, quando na condição de apátrida e/ou refugiado. Assim, examinamos, primeiramente, os recém-chegados enquanto estranhos à medida que eles nascem como um novo início e iniciador em um mundo no qual já preexistem relações humanas. A eles são dadas as boas-vindas e, familiarizados com o mundo, sentindo-se reconhecidos e aceitos nele, portanto, podem agir e falar na presença de outros, revelando a sua singularidade. E, por fim, os apátridas e refugiados também seriam estranhos, mas no sentido de um símbolo do assustador, uma vez que, ao perderem os vínculos com o mundo humano, deixam de ser bem-vindos. Assim, encontram-se nos limites do artifício humano, privados de agir e falar.




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DOI: http://dx.doi.org/10.13125/CH/3439

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